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Proposição — Projeto de Resolução 046/2025

Entrada na câmara em 18/07/2025

Concede a Medalha do Mérito Legislativo à Senhora Maria da Penha Andrade Cruz.

Maria Aparecida de Lima - Professora Cida Lima
Comissões
Comissão Data Parecer Parecer (*) Dt. Limite Parecer
Especial 23/07/2025

(*) Parecer → (C=Constitucional, I=Inconstitucional, M=Mantido, R=Rejeitado)

Deliberação
Trâmites Data
Promulgado 30/07/2025
Redação Final Aprovada 21/07/2025
Aprovado 1ª e única discussão e votação 21/07/2025
À(s) comissão (ões) para emitir(em) parecer(es) 18/07/2025
Distribuído (a) aos Vereadores 18/07/2025
Protocolado na Secretaria Geral 18/07/2025
A CÂMARA MUNICIPAL DE IPATINGA APROVA:


Art. 1º: Fica concedida a Medalha do Mérito Legislativo à Senhora Maria da Penha Andrade Cruz.

Art. 2º: A medalha será entregue formalmente ao homenageado em local, dia e
hora a serem designados pelo Presidente da Câmara.

Art. 3º: Essa resolução entra em vigor a partir da sua publicação.







Plenário Elísio Felipe Reyder, 18 de julho de 2025.

JUSTIFICATIVA

Maria da Penha Andrade Cruz, 60 (sessenta) anos, filha de José Gonçalves de Andrade e Antônia Gregória Drummond, casada há 39 (trinta e nove) anos com Arquimedes Cruz, tem dois filhos e uma neta. Com formação em psicologia desde 2015, atua como Psicóloga Social no SCFV – Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos na UDCBJ (União e Defesa da Comunidade do Bom Jardim).
Nasceu no Córrego da Onça, na zona rural da cidade de Mesquita, MG. Aos sete anos de idade veio com a família (os pais e cinco irmãos) para Ipatinga. Iniciou logo seus estudos, na igreja Católica São Geraldo Magela, do bairro Bom Jardim, que cedeu as salas para abrigar os alunos enquanto o município providenciava a construção de mais uma escola para o bairro, que só contava com a Escola Rui Barbosa que era particular, hoje Laura Xavier Santana, e a Escola Municipal, hoje Estrelinha Azul.
Desde a juventude, empreendeu luta por mais escolas no bairro e melhor qualidade de ensino no município, além de outras demandas de serviços e qualidade de vida para a comunidade.
Em 1980, aos 15 anos de idade, começou a fazer trabalhos comunitários, participando de um grupo que fazia reflexões nas casas do bairro. O tema da reflexão era sobre As Migrações e despertou nos jovens o interesse acerca da realidade comunitária com a deliberação de ações práticas, com a reflexão: Para onde vamos? Onde e Como estamos? Como e para onde queremos ir?
Vivenciando um contexto de desemprego e tantos outros problemas da juventude, criaram um grupo de jovens, reunindo-se periodicamente e discutindo temas de interesse do grupo. Criaram o grupo de jovens MCBV – Mensageiros de Cristo em Busca da Verdade, do qual Maria da Penha foi membro atuante por mais de 5 anos. Além da reflexão nas comunidades, os grupos faziam intercâmbios, trocas de experiências, torneios esportivos, festivais de músicas, gincanas e o famoso Baile Dançante do Centro Comunitário, hoje conhecido como "Baile da Saudade". Na época do Festival Roda Viva, Maria da Penha criou músicas sobre a Paz e o Despertar da Consciência para concorrer no Festival.
Os jovens organizaram também um curso de Fé e Política, com debates sobre política como organização social. Um trabalho de grande importância para análise da realidade e engajamento dos jovens em movimentos sociais. Debatiam e defendiam políticas para as áreas de educação, saúde, meio ambiente, transporte, moradia, comunicação, infraestrutura em geral, e tiravam comissões para cada área na tentativa de resolver as questões que afligiam as pessoas da comunidade.
Em abril de 1983, após ampla discussão sobre a realidade da comunidade, foi criada uma diretoria provisória da associação de moradores UDCBJ. E no ano seguinte, aos 18 anos, Penha foi eleita secretária da primeira diretoria da UDCBJ, com a associação já constituída.
A diretoria e toda a população eram atuantes. Com o Orçamento Participativo, Peinha abraçou a luta pela construção da primeira Unidade de Saúde do Bom Jardim e da Escola Municipal Levindo Mariano, por novas linhas e horários de ônibus, pela urbanização de várias ruas, redes de água e esgoto. Durante esse tempo, foi secretária da Comissão Local de Saúde, membro do Conselho Municipal da Saúde, do Conselho Municipal da Assistência Social, do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, do Conselho Municipal do Meio Ambiente, do Conselho da Cidade.
Maria da Penha ainda colaborou na organização de grupos do bairro Bom Jardim, como MOVICAT e Associação de Moradores da Serra Dourada. Também esteve junto aos moradores dos loteamentos Jardim Teresópolis e dos Marianos, com importantes conquistas para implantação de sistemas de água, esgoto, luz elétrica, rede de telefonia, ônibus da linha 310 e regularização fundiária.
Penha atuou, e ainda atua, no apoio a famílias com pessoas acamadas, com sofrimento mental, na construção de casas populares, principalmente no Morro Serra Dourada, no início das ocupações. Contribuiu ativamente para a organização e criação da Associação Loucos por Você, na luta antimanicomial. Como presidenta da UDCBJ de 2013 a 2016, marcou sua atuação com importante trabalho junto à equipe do programa CAF (Crianças e Adolescentes Felizes).
Enfim, com a formação em Psicologia, pode melhorar sua visão de mundo e atuar, ainda com mais habilidade, na mediação de conflitos e apoio aos grupos organizados da comunidade.
Atualmente também atua como conselheira da Associação Comunitária Integração, mantenedora da Radio Liberdade no Bom Jardim. Sua participação na comunidade do Bairro Bom Jardim foi, desde a juventude, muito importante.